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ADMINISTRAÇÃO BUSH ACUSADA de MANIPULAR OS "MEDIA"

RELATÓRIO DO INSTITUTO INTERNACIONAL DE IMPRENSA


Governo norte-americano criou departamento para, alegadamente, conduzir campanhas de desinformação junto dos órgãos de comunicação social, por DANIEL ARONSSOHN, AFP

Foto O Instituto Internacional de Imprensa acusou esta semana os Estados Unidos de manipularem a informação e advertiu que as .democracias não devem aproveitar-se da guerra contra o terrorismo para dominar os "media". "O modo como a administração .Bush reagiu ao trabalho dos "media" durante a guerra do Afeganistão, e a sua tentativa de suprimir a expressão dos órgãos de .comunicação social independentes foi a nossa grande surpresa em 2001", disse David Dadge, autor do relatório anual daquele .instituto sobre a liberdade de informação no mundo, intitulado "A guerra contra os 'media'".

.Segundo ele, "existe, no seio da administração Bush, um desejo de controlar a informação". Dadge afirmou-se preocupado com revelações feitas na terça-feira passada, segundo as quais um serviço do Pentágono, o Departamento de Influência Estratégica, criado depois dos atentados de 11 de Setembro, planeara conduzir campanhas de desinformação junto dos "media de todo o mundo. "Se se comprovar, é uma novidade constrangedora. Doravante será muito difícil confiar nas informações vindas do Governo norte-americano", disse.

"Parece que a América está a copiar o modelo russo sobre a maneira como se deve tratar os "media", acrescentou. "Até agora todos consideravam a América como um exemplo do respeito pelos princípios democráticos, mas isso nunca mais será credível", lamentou-se David Dadge.

"Os Estados Unidos colocam em perigo a sua própria credibilidade" considerou também Johann Fritz, director do instituto. Realçando que cerca de seis dezenas de países em todo o mundo - que representam um terço da população mundial -, não conhecem qualquer liberdade de expressão, Johann Fritz ironizou: "Aí, onde não há liberdade de imprensa, as violações constatadas são poucas ou nenhumas".

"Dois editores perderam o emprego depois de terem criticado a acção e as atitudes do presidente Bush no dia dos atentados, e um animador de televisão foi repreendido pela Casa Branca por ter feito um comentário considerado anti-patriótico durante um programa", revelou o relatório do instituto.

Segundo o documento, os atentados e a subsequente guerra no Afeganistão "tornaram a administração Bush mais sensível para as questões de 'media' e levaram-na até a pedir ao Governo do Qatar para usar a sua influência sobre a estação independente Al-Jazira".

Mas há mais: "Responsáveis pelo departamento de Estado também pressionaram a rádio Voz da América para não usar uma entrevista e na imprensa houve jornalistas que se demitiram ou foram demitidos por os seus textos não terem reflectido o estado de espírito do público americano." Ainda antes do ataque, "as gravações telefónicas de um jornalista foram apreendidas sem o seu conhecimento", acrescenta o documento.

A situação na Europa e nos Estados Unidos não é comparável, mas "os países mais avançados têm, de vez em quando, problemas em matéria de liberdade de imprensa", afirmou Fritz. "Os governos destes países dispõem de meios sofisticados, sobretudo jurídicos, para amordaçar os 'media'."

Todos os governos do mundo usam a mesma desculpa para justificar os atentados contra a liberdade de imprensa, afirma Dadge: "Acusam os jornalistas de levarem a cabo actividades de propaganda, enquanto se trata simplesmente de informações contrárias àquelas que os governos querem dar".

O Instituto Internacional de Imprensa foi fundado em 1950 por jornalistas do "New York Times", e conta actualmente com cerca de dois mil jornalistas filiados, distribuídos por 150 países.

Comantário OpenYourEyes: é incrível e deveras suspeito a puca importância dada a esta notícia por parte dos "media". Por outro lado, já começa a ser frequente e banal este tipo de suspeitas; esta foi só mais uma confirmação. Neste caso foi W. Bush a "vítima", mas como diz o povo: "Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades"...

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